Hermes Trismegistus, 367

Arquétipos Solares (Ritos Solares – 02)

Por Fabio Castilho 16 de fevereiro, 2018 1

Arquétipos Solares (Ritos Solares   02)

No artigo anterior, falamos sobre a alegoria do mito solar. E neste falaremos sobre o motivo pelo qual tais figuras míticas  se manifestam nas mais diversas culturas e tradições espalhadas pelo orbe terrestre.

Assim como a roda, existem alguns pontos convergentes nas culturas espalhadas pelo globo, sendo que uma delas é o poder e a influência do Sol em nossas vidas e costumes. Isto porque é por meio da sua luz que tal “estrela” nos provê: alimento, conforto, segurança, entre outras tantas benesses.

A observação da natureza e a necessidade de passar estes conhecimentos à frente de forma oral constituem a base das alegorias que deram origem aos mitos solares. Porém, muitos povos – ouso inclusive dizer se não todos – têm em suas culturas estórias relacionadas ao Astro principal de nosso sistema planetário.

Ao agrupamento, ou melhor, aos pontos em comum destas estórias damos o nome de arquétipo, que no caso aqui apresentado, são os conceitos primitivos que todas as culturas vêem no Sol, algo divino, ou que merece ser reverenciado. Tal fato, inclusive, explica a existência entre várias culturas e povos, da festas pré e pós colheitas, comemoração do Solstício de Verão e Inverno, bem como os Equinócios da Primavera e Outono.  

O humano é um ser social, e para tanto precisa utilizar-se de vocabulários para expressar seus conhecimentos e sentimentos, mas antes que isso ocorra, devemos idealizar, pensar, no que será transmitido, ou seja, somos também seres pensantes – daí a nossa necessidade inata de: refletir, questionar, criar, contemplar, entre outras coisas.

Platão nos trouxe isso quando expôs o mundo das ideias, no qual existe uma forma ideal para cada um dos elementos que podem ser expressos pelos humanos, por exemplo, quando falamos em elefante, o receptor (ouvinte, leitor, etc), caso tenha conhecimento prévio, visualiza a forma ideal de um elefante, o conceito fundamental do que é um elefante.

Este conceito foi expandido por Plotino, que cunhou o termo arquétipo, afirmando que existe um universo, povoado de ideias originais, onde tudo é permanente e imutável. Desta forma, os nossos pensamentos seriam meras reproduções do que existe nesta esfera superior.

No hermetismo vemos isso no axioma que diz que o universo é mental, e é muito comum a utilização do exemplo da criação de um objeto. Para facilitar, aqui utilizaremos uma cadeira para tal exemplo.

Tomando como objeto uma cadeira de madeira, ela foi criada por um marceneiro, mas, como foi o seu processo de criação? Em um mundo sem ideias, o marceneiro estaria andando por sua oficina e ao tropeçar em partes de madeiras, estas se agrupariam e criariam o objeto cadeira, sem que o seu criador a tivesse idealizado antes de executar o trabalho, porém não é assim que acontece (na maioria das vezes) na vida real.

Para criar uma cadeira, o marceneiro deve antes de começar a trabalhar a matéria prima, idealizar o que vai ser executado, visualizar a imagem ideal de uma cadeira para que assim ele possa executar o labor construindo este objeto no mundo físico.

E é assim com muitas outras coisas em nosso mundo, desde a já citada roda até as alegorias que descrevem o arquétipo do mito solar, presente em várias culturas de nosso planeta. Por mais que cada povo se expressasse maneiras diferentes, ao observarmos suas estórias, todas elas tinham pontos em comum, tais como: a descrição do nascer e pôr do Sol, a observância das variações do clima de acordo com a posição do Sol no céu, entre outras. O que vai variar é a forma como estes conhecimentos foram “materializados”.


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