Hermes Trismegistus, 367

O Poder dos Símbolos

Por João Pedro 23 de maio, 2017 4

O que lhe vem à mente quando você vê uma grande letra “M” amarela num fundo vermelho? E uma maçã mordida? O que uma Suástica – com um medo genuíno das respostas, dada a beleza da simbologia real dela – lhe lembra? O que lembramos quando vemos uma cruz? E um cavalo preto empinando sobre fundo amarelo? E a letra “F” minúscula em branco sobreposta num fundo azul? O que podem os símbolos fazerem que textos dificilmente fariam de maneira integral? Eles podem conversar com nosso subconsciente! Eles despertam o que está nas profundezas de nossas mentes!

O Poder dos Símbolos

Certa vez me foi dito que o Galo representa a vigilância no contexto Maçônico, mas para mim aquilo não quis dizer absolutamente nada. Talvez por uma característica forte de dificilmente aceitar o que me é exposto sem uma argumentação plausível. Este símbolo era apenas um signo. Era! Em determinada ocasião, numa conversa com um grande amigo – o qual orgulha-se em ostentar um currículo vitae extenso – este não parava de detalhar para mim seus próprios feitos, conquistas, comendas, medalhas, honrarias, cargos e tudo o mais que meus ouvidos e paciência poderiam suportar. Uma grande “masturbação ao ego”, com a licença para tais termos. Sentia como se este possuísse uma necessidade enorme de autoafirmação, a qual fui exposto por uns intermináveis dez minutos. Em minha mente só havia julgamentos: “vaidade é uma m****!”, “acredito que ele quer compensar algo do qual venha a ser desprovido”, “Freud explica o que você está passando, meu amigo”.

Quando o assunto é julgar, este que vos escreve tem PhD. Nesta mesma ocasião, algumas horas depois, fui surpreendido com uma homenagem dirigida à minha pessoa na presença de dezenas de outros. Naquele momento eu senti como se todos os holofotes do mundo estivessem apontando para mim. Meu peito encheu-se como que tomando fôlego antes de um grande mergulho. Naquele exato instante defrontei com a figura de um galo na parede Ocidental da Sala, oposta à que eu estava. Ali, todos os dedos que usei para apontar vícios de um Irmão apontaram de volta para mim mesmo, revelando o grande hipócrita, vaidoso e prepotente que sou. Tudo através da imagem daquele galo; silencioso, vistoso, porém discreto. Exatamente ali ele “falou” comigo e ganhou vida. Precisamente assim descobri um vício que, até então, projetava em outros, quando em verdade este fazia parte de mim mesmo: a vaidade.

Eis o poder de um Símbolo! Contudo, determinados Símbolos continuarão sem vida para muitos, pois não conseguem transmitir nada para algumas pessoas. Comparo-os com receitas para Iluminação que os grandes Avatares da história nos passaram: Sidarta Gautama, o Budah, iluminou-se e deu sua receita ao mundo, mas aquela foi a maneira como funcionou para ele! Maomé Iluminou-se e mostrou seu modus operandi para seus seguidores, mas aquela foi a maneira eficaz para ele. Jesus iluminou-se e fez o mesmo processo, contudo, aquilo foi como ele encontrou a Verdade. Quem garante que o mesmo dar-se-á com qualquer outro? Assim é um livro e o que ele diz acerca de um Símbolo. Aquela é a maneira como algum ensinamento inefável funcionou para o autor; dali sua experiência pessoal e opiniões são codificadas e espalhadas, mas nada garante que esta seja uma verdade compartilhada. Quando lhe disserem que um Símbolo significa algo, questione, pense, filosofe, exponha uma tese e ouça as prováveis antíteses, para então chegarem – ou não – numa síntese. A absorção e entendimento de um Símbolo estão diretamente interligadas à prática da dialética, do discurso retórico, do compartilhamento de ideias de maneira madura e honesta.

Símbolos nos dão a oportunidade única de nos desconstruir, sairmos de uma zona de conforto, conhecermo-nos, internalizar o que palavras fracassam ao tentar. Arriscando-me a fazer uma analogia, vejo o sentimento, a mensagem inefável a ser passada, como a água. Esta não pode ser passada de um lugar ao outro de maneira precisa e integral sem um recipiente. Esta ainda adotará o formato do recipiente em que estiver inserida. Assim trabalham os Símbolos ao meu ver; de maneira abstrata, porém objetiva. Enigmáticos, mas reveladores quando entendidos. Calados, contudo, na hora certa e da maneira certa, “falantes” e vivos.

Há também outra maneira de trabalharmos com Símbolos: os Sigilos. Estes já tem uma carga Magika por essência; são construídos de diferentes formas, dependendo se serão utilizados métodos goéticos, Caoístas (Magia do Caos), métodos Planetários, Gemátricos e etc. Mas deixaremos este assunto para outra oportunidade.

Esta é apenas minha meia-verdade. Agora amigo leitor, por favor, discorde de mim…

Crédito da foto: Michael Foley Photography via Visual hunt / CC BY-NC-ND


4 Comentários

  1. Davi disse:

    Brilhante explanação acerca do estudo hermenêutico do símbolo para aqueles que são tocados pela sua luz, por assim dizer. Mas acho que para ficar completo a observação, a menos que seja proposital, é interessante tentar nos debruçar sobre as razões que levaram à construção do símbolo, pois todo símbolo também trás consigo sua historicidade que é de grande valia para sua compreensão. TFA

  2. José Donizeti da Silva disse:

    Grande base de informações

  3. Caetano(Siriusblack) disse:

    Meu querido irmão é mestre, parabéns pelo pelo texto, e você para mim continua sendo um símbolo, de dedicação e progresso no que se refere a Arte Real, um 3x3x3 abraço fraternal.

Deixe o seu comentário!