Hermes Trismegistus, 367

A Origem da Alegoria Solar(Ritos Solares – 01)

Por Fabio Castilho 1 de fevereiro, 2018 1

A Origem da Alegoria Solar(Ritos Solares   01)

Do Zero ao Um, a distância é mínima, porém existem infinitos passos neste intervalo, onde a diferença entre um e outro depende da precisão1 de sua medida. Existe um experimento mental (gedanken) cujo o enunciado é:

“Dada uma distância qualquer (representada por x) entre um coelho e uma cenoura, a cada instante (representada por t), o coelho percorre metade da distância remanescente entre ele e a cenoura.”, ao que se pergunta: “Em quanto tempo o coelho alcançará a cenoura?”.

Supondo que a distância x seja um metro (1m), e cada instante t seja igual a um segundo (t = 1s), após o primeiro segundo (t1) a distância entre o coelho e a cenoura será de cinquenta centímetros (50 cm), ou seja, metade de um metro. Já no instante seguinte (t2), a distância remanescente cai para vinte cinco centimetros (25 cm), o equivalente a metade da distância anterior, e assim sucessivamente, eternamente, pois sempre poder-se-ha dividir a distância que sobrou em duas partes iguais.

A Origem da Alegoria Solar(Ritos Solares   01)

Graficamente, a representação desta função se dá por uma curva exponencial, cuja principal característica é aproximar-se cada vez mais de um ponto máximo sem nunca tocá-lo. Outro item a se observar, é que os primeiros passos desta curva, são dados a “passos largos” se comparados com os mais próximos do ponto máximo.

A Origem da Alegoria Solar(Ritos Solares   01)

Se instintivamente você respondeu que o coelho alcançaria a cenoura em dois ou três instantes, não se recrimine, pois, no mundo real é o que provavelmente aconteceria, pois uma vez que, após o segundo salto, a distância entre a cenoura e o focinho do coelho seria tão pequeno que este se esticaria para comer a doce raiz.

Nos dias atuais existem correntes de ideológicas que cultivam a dicotomia entre ciência e religião (favor interpretar a palavra aqui como o caminho para se religar fonte original de tudo). Porém esta divergência não existe! Ouso inclusive dizer que não são nem duas faces de uma mesma moeda, ciência e religião são a mesma distância medida com réguas cujas precisões são diferentes.

O procedimento causal da ciência a leva a dividir cada vez mais o seu conhecimento, sempre em busca da origem, um bom exemplo disso é o átomo (do grego: sem partes, indivisível) que na segunda metade do século XIX foi dividido, e cujas partes continuam sendo divididas, sempre que a “régua” da humanidade aumenta a sua precisão.

Em tempos remotos, não existia a cultura escrita, e toda tradição era passada de forma oral, assim sendo, toda observação que se fazia da natureza era transformada em estória de forma a ser repassada para as gerações posteriores na esperança que aumentassem sua chance de sobrevivência. Desta forma, associou-se o Sol a uma carruagem de fogo, que “nasce” sempre do mesmo lado e após percorrer o seu arco no céu, “morre” no lado oposto.

A evolução deste pensamento foi a observação dos ciclos da natureza, principalmente o de germinação e frutificação (de suma importância para a alimentação), que tem correlação direta com o movimento aparente do Sol. Esta observação levou ao estabelecimento de duas partes muito distintas do ciclo: uma quente, fértil e frutífera e outra fria, estéril e infrutífera.

Associar ao Sol o poder de nos fornecer comida, é um passo lógico, mas nem sempre muito claro (todo o tipo de comida que consumimos retira a sua energia do Sol, de forma direta ou indireta). Deste fato surgem lendas como a de Perséfone, que vivia metade do ano no Olimpo (quente, fértil) e a outra parte no mundo dos mortos (frio, estéril).

Uma análise mais atenta deste fenômeno, levou a humanidade a subdividir estes períodos em duas partes cada um, chegando assim às quatro estações: plantio, germinação, colheita e descanso. Porém estes períodos não eram tão rígidos, e existiam nuances entre um e outro, e assim cada estação foi dividida novamente, porém desta vez em três partes cada, chegando assim aos doze signos zodiacais.

Esta evolução (do conhecimento, pois a natureza se comportava assim mesmo sem a anuência da humanidade) se deu ao longo de séculos (quiçá milênios), sempre pela observância do movimento Solar durante determinado período do tempo: dias mais longos, dias mais curtos, dias e noites de igual duração, o posicionamento das estrelas (constelações) no céu, a correlação destas constelações com o nascimento do sol, entre outras efemérides.

Para perpetuar de forma mais fácil estas estórias, os antigos utilizaram-se de rituais, celebrações, para cada uma das datas marcantes durante o ano, muitas delas ainda são celebradas nos dias atuais e deram origem aos ritos de adoração a determinadas entidades, que neste caso específico, estamos falando do que conhecemos atualmente como Ritos Solares.

Boa parte do que foi exposto aqui veio principalmente de dois livros: “Uma Breve História Da Ciência” do William Bynum e “A Dança do Universo” do Marcelo Gleiser, que somados a conhecimentos adquiridos aqui e ali resultaram nesta visão particular sobre a origem histórica dos Ritos Solares.

Este é o início de uma série dedicada ao estudo e aprofundamento deste espinhoso, mas intrigante tema. Onde, em breve, teremos mais textos e de forma gradual, iremos desvelar este tema. Boa leitura a todos.

Sucesso! É a única possibilidade!

Nota:
1 – Será de muita valia ao leitor procurar a diferença entre acuidade e precisão, termos diferentes muitas vezes aplicados com o mesmo sentido;


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